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CAP. III — FORMA E PROCESSOS ENERGÉTICOS
Como se sabe, Reich possuía uma grande habilidade e sensibilidade para a percepção de movimento, de texturas, de cores e das sutis transformações dos fenômenos.
Além dessa habilidade natural, Reich desenvolveu sua pesquisa em uma atmosfera cultural que favoreceu e estimulou a pesquisa da forma em vários setores. Um bom exemplo disso são as correntes estéticas que surgiram nas três ou quatro primeiras décadas do século XX. Nesse período, o anseio pela experimentação, por um lado, e a ruptura com várias concepções formais tradicionais, por outro, resultaram em movimentos de vanguarda que, quase simultaneamente, "pipocaram" em vários locais:
— Na Alemanha, a Bauhaus de Weimar e Dessau foi o berço de inovações conceituais e estéticas em várias áreas (design, arquitetura, pintura, etc). As bases para muitas dessas inovações podem ser observadas nas pinturas e nas aulas de Kandinsky e de Klee, professores da Bauhaus. Em seus escritos, Kandinsky se refere à forma como expressão da necessidade interior.
— Na então URSS surgem vários movimentos de vanguarda. O encenador Meyerhold acreditava que o trabalho do ator deveria estar submetido às leis da forma na arte, e o cineasta Einsenstein mesclou, em seus filmes, a bio-mecânica de Meyerhold, alguns elementos da composição pictórica dos ideogramas orientais e, a partir da troca de correspondência com Reich, algo da teoria do orgasmo.

— No Brasil, as inovações e experimentações estéticas dos modernistas resultam em obras tais como o famoso Abaporu de Tarsila do Amaral, no qual os traços arredondados sugerem justamente aquela forma básica universal que Reich, no contexto de sua pesquisa, designará como orgonome:

— Nos EUA, Georgia O'Keeffe faz belíssimas pinturas e esculturas, explorando, de maneira magistral, a forma-orgonome e suas variações:
...
Certamente contaminado por esse clima
artístico-cultural, Reich, já nos primórdios de
seu trabalho, revela um grande interesse pela questão da forma
e aponta os benefícios que
a leitura de forma
pode trazer para o trabalho clínico-terapêutico (vide o
artigo "Sobre a Especificidade das Formas de Onanismo",
de 1922).
Mas essa pesquisa sobre a importância e a
dinâmica dos elementos formais dá seu primeiro grande salto à medida que
Reich desenvolve, entre 1923 e 1934, uma nova metodologia terapêutica —
a técnica da análise
caracterial:
Posteriormente, esse aprendizado será aprimorado e aplicado, sem exceção, a todos os domínios nos quais Reich pesquisou:
—
biofísica (as
formas de oscilação da bio-eletricidade)
—
biogênese (as formas
de movimento dos bions),
—
"biologia" (as formas do
movimento expressivo do plasma),
—
física-orgone (as formas de
movimento da Energia Orgone Cósmica)
—
astrofísica-orgone (a
forma de deslocamento da galáxia, a forma de movimento das
auroras boreais e furacões)
—
trigonometria do orgonome (a forma
específica da matéria viva).
Transitando entre a terapêutica e o trabalho laboratorial, esse conjunto de pesquisas inter-relacionará funcionalmente forma e movimento, massa e processos energéticos primários.
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- ORGONOME
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