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VI - RAÍZES GEOMÉTRICAS DO ORGONOME
Interessado
em entender melhor o funcionamento da radiação orgonótica, Reich realizou uma
série de observações em caixas Faraday completamente escuras
(a caixa ou "gaiola" de Faraday é um compartimento
feito com paredes ou capas de metal, que funciona como uma
blindagem contra as ondas eletromagnéticas que lhe são
externas), e em acumuladores de energia orgone (caixas construídas com
camadas intercaladas de material orgânico e inorgânico, que
possuem a propriedade de acumular um potencial orgonótico maior
do que o da atmosfera que as circundam).
Dentre as significativas
descobertas que resultaram daquelas observações, interessa-nos
especialmente, aqui, a visualização de pontos luminosos azul-acinzentados e
violeta-profundos que descreviam, no interior daquelas caixas,
uma onda espiralada. Com a figura abaixo, Reich procurou esboçar
graficamente o singular movimento daqueles pontos luminosos:

Reich isolou um trecho dessa onda, depois curvou-a no centro e aproximou suas extremidades:

E
lá estava, novamente, a forma-orgonome a que nos referimos no
cap. IV.
Reich acreditava que um fato científico era tão mais verdadeiro
quanto mais fosse comprovado por distintos ramos de pesquisa.
Assim, além das análises geométricas, ele também procurou
comprovações da forma-orgonome em outras áreas da pesquisa
orgonótico-funcional:
"Poderíamos elucidar este processo a partir da pura trigonometria, sem fornecer comprovação no plano da física-orgone. Mas a convulsão orgástica fornece-nos um argumento biofísico que confere uma grande importância a este processo trigonométrico. O mais notável fenômeno no reflexo do orgasmo é a tendência das duas extremidades do tronco — a boca e os genitais — de se aproximarem reciprocamente. De fato, foi este fenômeno biofísico que me colocou na pista da origem da forma do orgonome" [Cosmic Superimposition (1951)].
Reich conclui, também, que a "forma" ("estrutura") da matéria viva nada mais representa do que energia orgone congelada; e que as características desta forma congelada devem, de alguma maneira, expressar as originais formas de movimento da Energia Orgone Cósmica. Assim, o movimento pulsátil-mecânico dos fluidos corpóreos deve indicar algo sobre as direções pulsáteis-orgonóticas que habitam os níveis mais profundos de funcionamento dos seres vivos, direções que, por sua vez, derivaram-se do próprio oceano de Energia Orgone Cósmica, livre de massa. Comparando a forma de movimento das ondas de excitação nas células cancerosas (um movimento interno, portanto) com o desenho que os colpídeos traçam quando se locomovem no espaço (um movimento externo, portanto), Reich percebeu que, em ambas os casos, a onda espiralada estava presente:

O crescimento de uma concha, como notou Reich, é um processo que ilustra de maneira didática a forma-orgonome:

Reich
diferenciou três
estados do movimento orgonótico:
1) o movimento espiralado presente nas ondas de excitação orgonótica, no protoplasma e na lomoção dos protozoários;
2) a forma-orgonome dos órgãos animais e dos organismos
(movimento orgonótico congelado); e
3) a forma-orgonome do corpo animal em repouso (um estágio
intermediário entre movimento energético e matéria sólida).
Mas
voltemos à pista que Reich vinha seguindo: no domínio do Vivo,
as formas "estruturalizadas", "materiais"
devem expressar as propriedades da Energia Orgone em seus estados
mais ou menos primários (livres de massa). Do Experimento XX,
Reich havia descoberto que, no congelamento da água de bions,
uma pequena parcela da Energia Orgone presente no fluído
"estruturalizava-se", formava matéria. Uma expressão
dessa "estruturalização" eram as membranas curvilíneas dos variados flocos protoplasmáticos que surgiram
durante o Experimento.
Contudo, o fato de as membranas assumirem uma forma curvilínea não significava que o movimento orgonótico, espiralado, havia
desaparecido ou se transformado completamente em estruturas
materiais. As pesquisas de Reich sobre o funcionamento do
organismo vivo demonstraram que a estrutura material
"membrana" está funcionalmente acoplada a um orgonome bioenergético. Na verdade, é justamente
esse orgonome 'energético' que "conduz à formação do orgonome
material. A forma dos órgãos reflete a forma do movimento
energético original" [Cosmic Superimposition (1951)]
[A observação de seres unicelulares foi uma atividade
fundamental na elaboração dessas descobertas. Aquelas
minuciosas observações forneceram importantes subsídios para a
compreensão dos primitivos níveis do funcionamento bioenergético, e possibilitaram a
inter-relação funcional entre fenômenos do
microcosmos e funções orgonóticas acessadas em outros
"ramos" da pesquisa de Reich (como, por exemplo, as
funções que eram descobertas ao longo da prática
orgonoterapêutica)].

Ao estabelecer relações entre o orgonome-energético (que remete aos mais profundos níveis de funcionamento da Energia Orgone livre de massa) e o orgonome-material (que, com maior ou menor fidelidade, guarda características do Orgonome-energético), Reich concluiu que
"A específica forma orgonome
da matéria viva e de seus órgãos resulta de uma
oposição entre energia orgone livre-de-massa e energia
orgone congelada que tornou-se matéria membranosa. O
orgone livre-de-massa sempre procura abrir caminho para
além do confinamento da membrana. O orgonome
bio-energético é distendido e aberto; o orgonome
material é fechado"[Cosmic
Superimposition (1951)]
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VII - A SUPERPOSIÇÃO ORGONÓTICA
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