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Já no início de sua obra
científica, na década de 1920, Reich identificou-se com as teorias que especulavam sobre uma energia biológica
específica. Ao mesmo tempo, sentia-se muito incomodado com o fato
de essas hipóteses não poderem ser testadas pelos rigorosos
critérios da pesquisa científico-natural.
Mas, além da empatia intelectual por aquelas postulações, Reich
tinha um outro bom motivo para especular sobre uma energia que é
específica ao vivo: "as sensações de motilidade" em
seu
próprio organismo. Sensações que não eram, contudo,
suficientes para responder a uma questão que Reich considerava
central: como acessar empiricamente aquele específico processo
energético?
Partindo de constructos
provenientes da Psicanálise (principalmente, os conceitos de
"impulso" e "libido"), da Filosofia
(especialmente, a idéia de um élan vital, do filósofo francês
Henri Bergson) e das teorias dos Biólogos Vitalistas (que
postulavam uma singular energia biológica), Reich inicia, então,
sua pesquisa, apoiando-se, em um primeiro momento, exclusivamente
na prática clínica. E logo desenvolve um nova terapêutica (a
Análise do Caráter) que funcionará, simultaneamente, como uma
bússola para o trabalho clínico e como um instrumento para
a compreensão da dinâmica do processo energético nos seres
humanos.
A simultaneidade impulso/defesa, a potência
orgástica, a dependência dos conteúdos psíquicos em relação
ao estado energético, as pequenas descargas que promovem aumentos de carga, o trabalho sistemático com as defesas e várias outras descobertas,
pertencem à essa
primeira etapa da pesquisa energético-funcional de Reich.
Em um segundo momento, a pesquisa
de Reich sobre os processos energéticos transita e interliga dois
territórios: a prática clínica e o
trabalho laboratorial. Entre 1934 e 1939, Reich desenvolve uma
segunda técnica terapêutica (a vegetoterapia
caractero-analítica) e empreende dois
grandes projetos laboratoriais (os experimentos bio-elétricos e
os experimentos bions). Interessado, então, em investigar
experimentalmente a natureza da energia vital humana, Reich
realiza uma série de pesquisas biofísicas e descobre, descreve e
analisa minuciosamente as manifestações de uma energia bio-elétrica. Logo em seguida, o encadeamento de suas pesquisas
conduziu-o a um outro, difícil e polêmico território: a
biogênese. Sempre acompanhando a lógica funcional inerente às suas
pesquisas, Reich descobre, ao longo do período 1936-1939, uma grande variedade de
vesículas de energia que habitam as fronteiras entre o vivo e o
não-vivo.
Aquelas vesículas ou
"bolhas" de energia (os bions) comprovaram, enfim, a
existência de uma energia biológica específica. E indicaram as rotas experimentais que,
logo em seguida, conduziram à descoberta
que aquela energia, inicialmente visualizada apenas em culturas de bions, também
estava presente na atmosfera.
À essa energia, descoberta em 1939 no domínio do Vivo
e detectada,
em 1940, no universo inanimado, Reich nomeou como "Energia Orgone Cósmica".
Nasce, então, a Orgonomia (a ciência que investiga as
manifestações da energia orgone nos domínios do vivo e do
não-vivo, do orgânico e do inorgânico, no micro e no macro
cosmos), o Funcionalismo Orgonômico (um específico método que
espelha a dinâmica dos fenômenos orgonóticos), a Orgonoterapia
(a experiência da análise do caráter e da vegetoterapia somadas
às descobertas orgononômicas)
e vários outros e promissores ramos de pesquisa.
Reich não considerava a Orgonomia apenas como mais uma etapa de
sua obra; considerava-a, principalmente, como a expressão da
totalidade de seu trabalho científico-natural.
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